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Projecto "turmas partilhadas" em risco pode deixar dezenas de alunos com oferta escolar limitada

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Sex, 16/02/2024 - 08:58


Dezenas de alunos do distrito podem ficar sem poder frequentar os cursos profissionais gratuitamente noutros concelhos, se o projecto “turmas partilhadas” ficar suspenso por falta de financiamento do Governo

O projecto da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes permite que os estudantes possam ter aulas noutras escolas fora do seu concelho, para concluir o 12º ano, disponibilizando mais oferta escolar, visto que há municípios que nem ensino secundário têm, como é o caso de Vimioso. Assim, os jovens têm as aulas gerais na escola do seu concelho e as especificas na escola onde há o curso que pretendem.

O projecto começou no ano lectivo 2021/2022, mas só aí teve financiamento do Governo. Nos dois restantes anos, tem sido a CIM a suportar a despesa com o transporte e já lá vão 650 mil euros. “Enquanto no ano de 2021/2022 nós conseguimos o financiamento através de fundos comunitários para essa despesa, já no ano 2022/2023 não o conseguimos, porque a candidatura que tínhamos terminou e foi nesse sentido que solicitámos o apoio do Ministério para financiar uma despesa na ordem dos 300 mil euros. Já o ano que está a decorrer, 2023/2024, temos a esperança, não a certeza, que vínhamos a ter comparticipação financeira de fundos comunitários do actual quadro comunitário. De qualquer maneira continuamos com este compromisso do Governo que não foi assumido no sentido de nos ressarcir das despesas que tivemos”, adiantou o secretário da CIM, Rui Caseiro.

Mas se o Governo continuar sem cumprir a sua promessa, a Comunidade Intermunicipal deixará de conseguir financiar o projecto e os alunos deixarão de ter a possibilidade de estudar o que querem. “Se não tivermos a garantia de financiamento neste ano, o outro vamos ver como decorre, mas se este ano não tivermos enquadramento financeiro, se não tivermos o compromisso por escrito do Governo que vai financiar, podemos pôr em causa o projecto, porque a despesa é de um montante elevado, que coloca em causa a sua sustentabilidade financeira por parte dos municípios, porque a despesa é significativa”, disse.

O projecto vai já no terceiro ano e tem vindo sempre a crescer. Começou com cerca de 20 alunos e agora são mais de 50 os que usufruem do apoio. Rui Caseiro salienta que esta é também uma forma de fixar as pessoas nos seus concelhos. “Se os alunos conseguirem estar junto da sua família, frequentarem um curso que gostam, saem formados, por exemplo em agricultura, amanhã são empresários agrícolas na sua terra. Mas se aos 15 anos tiverem que sair de Vimioso, para virem para Bragança para uma residência escolar, começam a frequentar aqui as acções de formação, se calhar passado três anos já não têm a mesma vontade de ir para a sua aldeia”, explicou.

Na área de abrangência da CIM, o concelho de Vimioso não tem ensino secundário, obrigando os alunos a sair para conseguirem concluir uma escolaridade que é obrigatória. Mas não só estes estudantes beneficiam do projecto “turmas partilhadas”, mas todos aqueles que queiram frequentar um curso profissional que não há no seu concelho.

Escrito por Brigantia

Jornalista: 
Ângela Pais