Burro mirandês pode extinguir-se em 50 anos

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Sex, 31/07/2015 - 11:25


  Um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro sobre o Burro de Miranda é claro: a raça autóctone ainda está em risco de extinção. De acordo com o investigador Miguel Quaresma, autor da investigação, há cerca de 600 fêmeas desta espécie em idade reprodutora. O número mínimo necessário para assegurar a continuidade da raça teria de ser de pelo menos 1000.

“Apesar de todo o trabalho que tem permitido que a raça seja divulgada e que tenha diminuído o seu declínio mais acentuado, a raça ainda se encontra em perigo de extinção”, refere. Se se seguir o modelo actual “em 20 anos não teríamos muito mais do que 200 ou 300 animais e em 50 anos estaria extinta ou quase extinta”, adianta Miguel Quaresma.
A mecanização agrícola e o abandono da actividade são as razões mais apontadas para o declínio da espécie. E apesar de se terem feito avanços no sentido de preservar a raça do burro mirandês, tendo-se travado o declínio a que parecia destinada, a diminuição de exemplares da espécie continua.
Contudo, e segundo o investigador, a esperança na recuperação do burro de Miranda reside valorização da espécie e na aposta em novas utilizações dos animais, como “a utilização em turismo rural, na terapia mediada, como animal de estimação, ou projectos de produção de leite de burra na área da cosmética”.
O slogan adoptado pela Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA): “Burros há muitos, mas estes estão em extinção”, continua por isso a fazer sentido. Escrito por Brigantia.