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Da Bélgica a Miranda do Douro: as aventuras de Tintim chegaram ao Planalto Mirandês

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Qua, 18/02/2026 - 11:35


“Ls Xarutos de l Faraó” é o quarto livro da saga “As Aventuras de Tintim” que foi traduzida por Alcides Meirinhos em mirandês

Para o membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), apesar de não ter sido um desafio fácil foi “um prazer imenso” fazê-lo. “Não sabia por que ponta lhe havia de pegar, até que eu pedi os textos em formato Excel. A partir daí fui tira a tira, fala a fala, as coisas foram se compondo. Juntos, conseguimos arranjar novas palavras em mirandês para explicar aquilo que Tintim, Milu e Dupont e Dupont e esta gente toda querem dizer, de forma a ficarmos satisfeitos com o trabalho que fizemos”, frisou.

Alcides Meirinhos acredita que fazer este trabalho é a sua missão e a dos restantes membros da ALCM. No seu entender, garantem que o mirandês, “não morra” e para que seja, “cada vez, mais sentido como algo identitário da terra de Miranda. E quando as pessoas perceberem que o Mirandês é uma das coisas que nos diferencia dos outros, aí as pessoas agarram-se à língua”, disse.

E as onomatopeias foram o mais divertido de traduzir. “O perro mirandês não faz ‘bêu-bêu’, nem ‘au- au’, faz ‘gau-gau’. É isso que dá gozo, pôr as coisas em língua mirandesa”, rematou.

Também o comissário da Estrutura de Missão, Alfredo Cameirão, vê estes trabalhos com bons olhos. “Diria que é intensificar, dignificar a presença do mirandês em todos os campos da vida social, maiormente nas traduções. Este tipo de traduções de banda desenhada para um público mais infanto-juvenil, embora chegue também a um público adulto, evidentemente que é uma reafirmação da língua. Estavam, por exemplo, eu vinha a pensar nisto pelo caminho, estavam a ação de cor no Egito, nas Arábias, portanto no mundo. A capacidade do mirandês de dizer esse mundo, de dizer o mundo inteiro, vem reforçar o estatuto, tratar a língua mirandesa como uma língua no mesmo patamar das outras, consegue fazer o que as outras línguas conseguem. Isto, do ponto de vista de divulgação da língua, é importantíssimo.”

O repórter mais famoso do mundo, que continua a marcar gerações, já fala mirandês.

No total são mil exemplares que já podem ser adquiridos nas livrarias em Miranda do Douro ou no site online da editora belga, Casterman.

Escrito por rádio Brigantia

Jornalista: 
Cindy Tomé