Professores de Bragança e Mirandela em greve deixam alunos sem aulas

Qui, 12/01/2023 - 11:03


Em Mirandela, esta manhã, também estão em greve professores do agrupamento de escolas

Há pouco, em directo para a Rádio Brigantia, o delegado sindical do STOP, Rui Feliciano, disse estar haver uma forte adesão.

“Uma adesão muito grande dos professores, temos também alguns funcionários operacionais que estão solidários e estão a participar na manifestação”, referiu.

Com esta greve, os docentes reclamam a actualização das cotas dos escalões e a progressão nas carreiras.

“Alteração das políticas governamentais, nomeadamente no que diz respeito do processo da municipalização da contratualização de professores, também a questão as cotas do quarto para o quinto escalão e do sexto para o sétimo escalão, o processo que tem a ver como congelamento dos salários e a recuperação do nosso tempo de serviço e a procura por uma escola pública de qualidade, onde os professores se sintam bem”, reivindicou.  

Os professores em greve no agrupamento de escolas de Mirandela vão depois realizar um plenário onde vão definir estratégias de luta para as próximas semanas.

No agrupamento Abade Baçal, em Bragança, alguns professores também estão em greve e protestaram à porta da escola sede. Isabel Pires é uma das professoras que esteve na manifestação. É de Vila Real e é contratada há 21 anos, mas todos os anos muda de localidade. Queixa-se da precariedade.

“Tenho a meu cargo dois filhos, pago duas rendas, porque eu sou de Vila Real e estou aqui colocada em Bragança. Todos os anos mudo de escola, há 21 anos que estou nesta situação e não vejo da parte dos sucessivos Governos uma alteração que possa responder a tudo isto. Não temos qualquer ajuda de custo, não temos, no fundo, dignidade”, afirmou.

Os professores pedem um aumento dos salários, que não vêm actualizados há anos.

“Nós não vemos os nossos salários revistos, eu recebo o mesmo há 21 anos. Um contratado que recebe 1100 euros não tem forma de responder aos vários custos que tem associados à profissão. Não posso progredir porque ainda nem estou na carreira”, frisou.

Teresa Pereira é professora há mais de 30 anos de Física e Química. Juntou-se à greve no agrupamento Abade Baçal pela “falta de respeito que têm tido pelos profissionais da educação”. Pede progressão na carreira.

“Há uma carreira que tem 10 escalões e a grande maioria não vai chegar ao final, chega ao meio, provavelmente. As condições de trabalho, há uma grande carga burocrática além das aulas normais. O estrangulamento que existe na carreira, com cotas em alguns escalões”, explicou.

De acordo com a directora do agrupamento Abade Baçal, algumas turmas estão com sem aulas, mas os professores em greve não são suficientes para levar ao encerramento da escola.

Em Macedo de Cavaleiros, o agrupamento de escolas mantem-se encerrado desde terça-feira, como o sindicato previa que acontecesse.

No sábado, vai ser feita uma marcha em Lisboa pela Educação, promovida pelo Sindicato de Todos os Professores. De Bragança, Macedo, Mirandela e Vila Real vão mais de 300 professores.

O ministro da Educação vai reunir com os sindicatos nos próximos dias 18 e 20 de Janeiro, para uma terceira ronda de negociações. Os professores pedem um aumento salarial, progressão nas carreiras, melhores condições de trabalho.

Escrito por Brigantia

Jornalista: 
Ângela Pais