Escavações no castelo de Miranda trazem a descoberto sete esqueletos relacionados com a Guerra do Mirandum

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Qua, 21/10/2020 - 08:55


Foram exumados, em Miranda do Douro, sete indivíduos, que terão ali morrido, quando, em 1762, as tropas espanholas fizeram explodir um paiol, causando um incêndio de grandes dimensões

Nesta explosão morreram mais de 400 pessoas e foi destruído grande parte do castelo e das muralhas.

O achado deu-se a propósito de um projecto da câmara de Miranda do Douro para a requalificação e recuperação da Antiga Rua do Castelo, um espaço que a autarquia pretende aproveitar para fruição pública.

A explosão originou a “Guerra do Mirandum” e, segundo frisou António Pereira, proprietário da empresa de arqueologia que ali está a trabalhar, a descoberta permite conhecer melhor este episódio da História. “Neste momento, está em curso, desde Julho/Agosto, o acompanhamento arqueológico da empreitada. No âmbito desse acompanhamento foram detectados esses enterramentos e foram exumados sete indivíduos: três crianças e quatro adultos. Pela forma como estavam enterrados, porque não tinham organização, estavam sobrepostos e pelos materiais a que estavam associados, podem corresponder à Guerra dos Sete Anos, que está muito presente na memória dos mirandeses”.

António Pereira explica ainda que o achado não é, de todo, uma surpresa. “Nomeadamente em centros históricos, estamos habituados a que isto aconteça todos os dias, não com este tipo de estruturas, mas quando partimos para a intervenção de sondagens de diagnóstico, em Junho do ano passado, já tínhamos ideia de que iríamos apanhar algumas estruturas”.

Os trabalhos iniciaram-se em Julho, com sondagens arqueológicas, tendo-se já posto a descoberto algumas estruturas, nomeadamente partes da muralha.

A Guerra do Mirandum, que durou de Maio a Novembro de 1762, foi a participação de Portugal na Guerra dos Sete Anos e iniciou-se quando um exército franco-espanhol invadiu Portugal pela fronteira de Trás-os-Montes, conquistando Miranda, Bragança e Chaves.

Escrito por Brigantia

Jornalista: 
Carina Alves