Sobrinho Teixeira critica recusa de vistos a alunos cabo-verdianos

Qua, 11/10/2017 - 11:47


A dificuldade em conseguir a aprovação de vistos está a dificultar a vinda de alunos estrangeiros para o Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Apesar de serem frequentes atrasos nos vistos, este ano o problema foi agravado em particular em relação aos alunos de Cabo Verde que se candidataram.

O presidente do IPB Sobrinho Teixeira lamenta esta recusa de vistos e apela a que as autoridades nacionais desencravem este problema.

“Esta questão está a atrasar a entrada de alunos e está a haver uma recusa de vistos que vai muito para além do normal nomeadamente em relação a Cabo Verde e isso tem de ser visto ao mais alto nível, porque não é normal o que está a acontecer. Certamente está a ser feio um crivo demasiado burocrático, demasiado administrativo”, denuncia.

Declarações de Sobrinho Teixeira ontem na cerimónia de boas-vindas dos novos alunos do IPB.

O instituto recebeu cerca de 1000 candidaturas de alunos estrangeiros. No que diz respeito a Cabo Verde o ano passado nesta altura havia já cerca de 200 vistos aprovados e este ano até ao momento há só 30 aprovados.

Este entrave pode impedir o instituto de atingir a barreira do 8 mil alunos, um número que a direcção do instituto esperava alcançar este ano depois de ter crescido nas duas primeiras fases do concurso nacional de acesso.

“Estaríamos à espera de mais 400 alunos estrangeiro, a atribuição de vistos está muito atrasada, se tudo corresse normalmente chegaríamos perto da barreira psicológica dos 8 mil alunos o que seria muito importante”, destacou.

A recusa de vistos está relacionada com a falta de rendimentos das famílias dos alunos estrangeiros candidatos, no entanto, Sobrinho Teixeira afirma que a decisão não tem em conta as diferenças de custo de vida nas várias zonas do país.

“O rendimento das famílias cabo-verdianas não diminuiu significativamente de um ano para o outro. Foi determinado que os jovens tem de ter cerca de 550 euros livres para poderem vir para Portugal. Isso por mês para um jovem em Bragança é dinheiro a mais”, destacou.

Marly Monteiro veio precisamente de Cabo Verde mas tem visto desde o ano passado porque já estudou no ano lectivo anterior no país, mas reconhece que actualmente “é complicado conseguir obter visto para estudar em Portugal” e tem amigos cabo-verdianos que não obtiveram visto para estudar em Portugal.

O Politécnico de Bragança tem sido nos últimos anos a instituição de ensino portuguesa que mais alunos estrangeiros recebeu.

No último ano lectivo, eram cerca de 1600 os alunos de 64 nacionalidades distintas na instituição. Este ano eram esperados mais 400, mas a dificuldade em obter vistos poderá impedir que esse objectivo seja alcançado. Escrito por Brigantia.