Executivo municipal de Mirandela critica António Branco depois de pôr em causa auditoria às contas

Qua, 16/05/2018 - 09:28


Por Mirandela, o Dossier “Auditoria Financeira” às contas do Município continua a suscitar diversas reacções. O executivo liderado por Júlia Rodrigues não gostou de ouvir o ex-autarca colocar em causa a credibilidade dos resultados preliminares da auditoria financeira revelados, na passada quinta-feira. 

António Branco quebrou o silêncio para dizer que não acredita numa auditoria paga pela autarquia a uma empresa privada e que dá conta de uma derrapagem de seis milhões no valor real da dívida do Município.

Agora, a reacção do Palácio dos Távoras chega através do vereador responsável pelo pelouro da administração financeira. José Miguel Cunha entende que António Branco colocou em causa a independência, quer da empresa contratada quer dos próprios funcionários da autarquia que deram todo o tipo de informação que foi solicitada

“A auditoria foi feita por uma entidade independente cuja credibilidade e prestígio tem vindo a ser constantemente reconhecidos nos mercados financeiros. Não sabemos até que ponto a própria Delloite não vai querer processar o anterior presidente pela difamação de dizer que a auditoria possa ter sido trabalhada em relação às nossas necessidades. Nós também podíamos ter colocado em causa o trabalho do revisor de contas que é uma entidade privada, dizendo que as contas também foram trabalhadas, mas não o fizemos porque acreditamos na independência da PKF”, afirma o vereador.

O vereador do executivo socialista estranha esta aparição pública de António Branco depois de sete meses de silêncio e da falta de muitas explicações sobre vários assuntos.

José Miguel Cunha entende ainda que o ex-autarca anda distraído quando diz que esta auditoria se traduz em mais um fait-divers do executivo socialista para esconder a incapacidade de cumprir o que prometeu aos munícipes. “Teria sido interessante que não tivesse renunciado ao mandato para podermos esclarecer algumas dúvidas de situações de pessoas que nos abordam com acordos verbais que terão sido feitos mas que não existem provas”, lamenta. “Nas promessas a que se refere já estão a ser cumpridas, numa parte, no orçamento para 2018. Baixamos o IMI e entregamos 1 por cento do IRS, mas a nossa intenção é chegar ao final do mandato na taxa mínima do IMI e entregar os 5 por cento de IRS aos munícipes, bem como na água estamos a tratar da alteração ao regulamento para a inclusão da tarifa social e de uma diminuição da taxa para as famílias numerosas”, refere.

Entretanto, José Miguel Cunha faz questão de esclarecer alguns dos números desta auditoria.

“Nos 5 a 6 milhões de dívida também estão reflectidas as situações judiciais, que é o caso das águas, estamos a falar de 2 a 3 milhões, é retirada a dívida que existe com as águas para ser discutida em Tribunal, sai da contabilidade e passa para processo jurídico, mas deveríamos acautelar uma previsão. Por isso, é que nós falamos de 21 milhões registados nas prestações de contas, porque há uma diferença dos 18 que estão na DGAL para os 21 milhões, que têm a ver com provisões judiciais, salários e outras situações, que não contam para a dívida”, esclarece.

O vereador dá ainda exemplos concretos de dívidas que não estão registadas, a começar pela sociedade Mirandela XXI que foi constituída para elaborar projectos, como um edifício de serviços do Município, da ESPROARTE, e de dois pavilhões gimnodesportivos em Carvalhais e Romeu, que não foram concretizados mas que terão de ser pagos. Escrito por rádio Terra Quente (CIR).