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Chuva ainda não descansou criadores de ovinos do Planalto Mirandês em relação à seca

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Seg, 15/04/2019 - 11:13


Apesar da chuva dos últimos dias, os criadores de ovinos do planalto mirandês continuam preocupados com a falta de água e querem soluções para fazer face aos anos de seca, que se têm repetido.

Duarte Alves, da aldeia de Prado Gatão, que tem um rebanho 350 animais, diz que os gastos aumentam muito devido à seca, quer para comprar alimentação quer para transportar água para os animais.

“Temos de preparar os terrenos para o pasto de Verão e se não há humidade não nasce e temos de dar seco, que temos de comprar. Já é o terceiro ano que estamos a comprar, desde 2017, sem apoio nenhum”, explica o produtor que este ano já teve de transportar água de furos para dar de beber ao rebanho.

Ezequiel Raposo, outro criador, diz que uma das soluções poderia passa pelo Douro, mas acredita que se perdeu a oportunidade de ter financiamento para um investimento avultado. “A fonte mais acessível seria o Douro, mas só com grandes investimentos é que se poderia fazer, porque estamos inseridos numa zona praticamente plana. O projecto já deveria ter sido feito há muitos anos, o Douro tem muita água e não temos sabido aproveitá-la”, afirmou.

A secretária técnica da Associação Nacional de Criadores de Ovinos de Raça Churra Mirandesa, Andrea Cortinhas, mostra-se preocupada que as dificuldades levem à diminuição do efectivo desta raça autóctone que é de cerca de 6 mil animais.

“A partir de 30 de Abril, vamos notar que há um decréscimo, as pessoas começam a vender alguns animais, porque as condições não são favoráveis para alimentar os animais. Esta chuva foi óptima, mas não é suficiente”, referiu.

Preocupações demonstradas durante o XXIV concurso nacional do ovino de Raça Churra Galega Mirandesa, que decorreu este sábado em Malhadas, em Miranda do Douro. Escrito por Brigantia.

Jornalista: 
Olga Telo Cordeiro